Pastor é preso após quatro acusações de abuso sexual contra jovens de igreja

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Pastor é preso após quatro acusações de abuso sexual contra jovens de igreja

Um pastor evangélico foi preso em Peruíbe, no litoral paulista, por suspeita de cometer abusos sexuais contra jovens que frequentavam suas igrejas.

Segundo informou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) ao G1 na quinta-feira (24), quatro vítimas procuraram a Polícia Civil e, após solicitação da autoridade policial, a Justiça decretou a prisão preventiva de Mário Sérgio Ferreira da Silva, de 55 anos.

Em entrevista ao G1, a mãe de uma das vítimas, que prefere não se identificar, relata que começou a frequentar a igreja há cerca de cinco anos. De acordo com ela, na época, o filho, que hoje tem 22 anos, era menor de idade. O jovem tem deficiência intelectual e autismo.

“Jamais imaginei que poderia acontecer isso. O pastor era muito simpático, e o meu filho gostava de ficar junto com os jovens da igreja, então, eu confiava que era um local seguro”, diz.

De acordo com a mãe, a suspeita é de que o filho tenha sido violentado por cerca de dois anos. A família descobriu os abusos após o pai identificar um comportamento diferente no jovem, que chorava muito. Além de achar estranho que o pastor o presenteava com frequência com gravatas, ternos e roupas.

Quando o pai questionou o filho, o menino revelou os abusos sexuais. Segundo a mãe, ele afirmou que o pastor o levava para sua residência, mandava ele tomar banho e praticava os abusos.

“Tinha tardes em que ele sumia e eu ficava procurando por ele, sem nem sonhar que ele estava na casa do pastor. Meu esposo comentou na igreja a suspeita, e aquilo chegou no pastor. Ele invadiu nossa casa para intimidar meu filho, falando que era mentira. A reação de pânico do meu filho na hora fez eu ter certeza que era verdade”, relata.

Por medo, a família não denunciou o crime de imediato, conforme relata a mãe. “Na igreja, era uma adoração tão grande por esse homem [pastor] que eu fiquei com medo, porque era a nossa palavra contra a dele. Então, só tirei meu filho de lá, porque ele também estava com medo, já que foi intimidado. Porque uma pessoa que usa a palavra de Deus para fazer o que esse pastor fez é capaz de qualquer coisa”, destaca.

Mais de dois anos após o ocorrido com o jovem, segundo relata a mãe, outras vítimas apareceram, todas adolescentes. Após uma reunião interna entre os religiosos da igreja, eles decidiram procurar a delegacia junto com as famílias de quatro vítimas. “Foi quando representantes da igreja nos procuraram e nos incentivaram a seguir com a denúncia”, diz.

Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Rede Globo no litoral de São Paulo, o delegado Edmilson Matos, que conduz a investigação, afirmou que o pastor tinha um endereço em Itanhaém, cidade vizinha, onde foram feitas diligências para encontrá-lo após as denúncias.

“Foram feitas diligências, porém, ele não foi encontrado, se evadiu. Mas, as investigações continuaram no sentido de localizá-lo. Então, o cerco acaba se fechando. Ele é uma pessoa que talvez não tivesse muita alternativa, razão pela qual, com o cerco policial, acredito que ele tenha se entregado”, explica Matos.

Uma representante da igreja, que incentivou a mãe do jovem de 22 anos a denunciar o pastor, relatou à TV Tribuna que o suspeito teria fundado pelo menos cinco igrejas evangélicas no litoral paulista, e que já recebeu denúncias de cerca de dez vítimas que relatam abusos sexuais. Porém, muitos jovens ainda não tiveram coragem de denunciar às autoridades, por medo, conforme relatou.

Ainda de acordo com a religiosa, que não quis se identificar, só em Peruíbe, o pastor tinha três igrejas, além de ter outras duas em Itanhaém, todas em regiões periféricas. “Ficou-se sabendo que ele teria assediado outros rapazes também da igreja. Ele atraía [as vítimas] para a casa [dele] sob o argumento de um deles ensinar informática para outro, ou para fazerem reparos de pintura na residência”, disse o delegado.

O 1º DP de Peruíbe instaurou inquérito policial e investigou os supostos abusos sexuais cometidos pelo pastor. Segundo o delegado, o inquérito foi concluído para estupro de vulnerável com relação à vítima com deficiência intelectual e para crime de violação sexual mediante fraude com relação às outras três vítimas. À polícia, o pastor negou os crimes.

O G1 localizou a defesa do suspeito, mas, em contato telefônico com o escritório do advogado, não obteve posicionamento sobre o assunto.

Fonte: G1

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